Cristo é verdadeiro Rei

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados”, dizia o Papa Leão XIII na célebre Encíclica Immortale Dei, falando sobre a Idade Média. Ele acrescentava que naquele tempo “a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil”, de tal modo que, naquele grupo de nações europeias, os excelentes frutos foram superiores a toda expectativa.

Essa descrição corresponde a um estado de coisas que não pode ser chamado senão de reinado de Jesus Cristo, uma realeza à qual Ele tem direito por natureza e por conquista. Por natureza, porque “tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito” (Jo 1,1). Por conquista, porque nos resgatou da tirania do demônio, a preço de sangue.

Essa é uma das linhas de reflexão desenvolvidas por Dr. Plinio, que o leitor encontrará na presente edição: o direito de Jesus ser Rei.

Dr. Plinio mostra que esse direito do Homem-Deus a ser Rei se exerce não só sobre a sociedade espiritual – a Igreja Católica –, mas também sobre a sociedade temporal, nos moldes da exposição de Leão XIII na referida Encíclica.

Em dezembro de 1925, o Papa Pio XI instituiu a festa de Cristo Rei. O tema vinha de encontro aos anseios do então jovem Plinio, de batalhar para implantar na face da terra esse reinado divino. O que Pio XI mostrava coincidia completamente com suas convicções: ou a sociedade civil organiza a vida na terra para constituir um vestíbulo do Céu, ou a transforma na antecâmara do inferno. De fato, dizia aquele Pontífice, como a sociedade humana se recusava a aceitar a realeza de Cristo, já sucumbia sob diversas mazelas: ódios e rivalidades, cobiças desenfreadas, um “cego e desregrado egoísmo”, o fim da paz doméstica “pelo esquecimento e relaxamento dos deveres familiares”, o rompimento da estabilidade das famílias, tudo conspirando para empurrar para a morte a sociedade humana.

Como reverter essa situação? Com a implantação do Reino de Maria. Afinal, como argumenta São Luís Grignion de Montfort, “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”. Quando “o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será como uma consequência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria”. Assim pensava Dr. Plinio, que já via brilhar, no fim do túnel, a resplandecente luz de um reinado de Cristo muito mais completo, universal e perfeito do que foi na Europa medieval, confiado na promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

 

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Revista Dr Plinio 176 (Novembro de 2012)

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