São Pedro Canísio, Presbítero, Doutor da Igreja

Quando, a 2 de setembro de 1549, obteve a bênção do Papa Paulo III para a sua missão na Alemanha, ajoelhou-se junto do túmulo de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, para orar. Aquilo que viveu interiormente plasmou-o de maneira tão profunda, que num trecho das suas confissões afirma: «Tu sabes, ó Senhor, quão intensamente naquele dia me confiaste a Alemanha. A partir de então, a Alemanha ocupou sempre mais os meus pensamentos e desejei, ardentemente, oferecer a minha vida pela sua salvação eterna». Este era o programa de vida, ao qual permaneceu heroicamente fiel até à sua morte serena, no dia 21 de dezembro de 1597.

Peter Kanijs para os latinos nasceu no dia 8 de maio 1521, no ducado de Geldern, atual Holanda. Quando criança, preferia os livros de oração às brincadeiras. Muito estudioso, com quinze anos seu pai o mandou estudar em Colônia e, com dezenove, recebeu o título de doutor em Filosofia. Mas não aprendeu somente as ciências terrenas. Com um mestre profundamente católico, Pedro também mergulhou, prazerosamente, nos estudos da doutrina de Cristo, fazendo despertar a vocação que se adivinhava desde a infância.

No ano seguinte ao da sua formatura, os pais, que planejaram um belo futuro financeiro para a família, lhe arranjaram um bom casamento, mas ele recusou. Não só recusou como aproveitou e fez voto eterno de castidade. Foi para Mainz, dedicar-se apenas ao estudo da religião. Orientado pelo padre Faber, célebre discípulo do futuro Santo Inácio de Loyola, em 1543 ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus. Três anos depois, ordenado padre jesuíta, recebeu a incumbência de voltar para Colônia e fundar uma nova Casa para a Ordem. Assim começou sua luta contra um a heresia que abalou e dividiu a Igreja: o protestantismo.

Serviu de múltiplos modos a Igreja na Alemanha. Também quando se dedicou a atividades políticas e organizativas, o objetivo da sua obra permaneceu o anúncio da verdade, e foram sempre a catequese e a pastoral o fio condutor da sua rica produção. Tanto o apreço extraordinário que obteve das autoridades eclesiásticas e seculares, como os obstáculos que os seus detratores tentaram erguer no seu caminho, demonstram o modo como conviveram nele sinceridade e bom senso.

 

O Santo dedicou particular atenção aos jovens, em cuja formação intelectual e religiosa via um pressuposto essencial para um futuro católico da Alemanha. Esta atividade era reconhecida pelos seus coirmãos na Companhia de Jesus, cujo fruto foi a criação, em poucos decênios, de uma elite espiritual que se tornou o elemento propulsor daquela época cultural.

Quando era professor de Teologia em Colônia, sendo respeitado até pelo imperador, conseguiu a deposição do arcebispo local, que era abertamente favorável aos protestantes. Depois, participou do Concílio de Trento, representando o Cardeal Oto de Augsburg.

Pregou e combateu a heresia, ainda, em Roma e Messina, onde lecionou Teologia, mas teve de voltar à Alemanha, pois sua presença se fazia necessária em Viena, onde o protestantismo fazia enormes estragos.

Foi nesse período que sua luta incansável trouxe mais frutos e que também escreveu a maior parte de suas obras literárias. Fundou colégios católicos em Viena, Praga, Baviera, Colônia, Innsbruck e Dillingen. Foi nomeado pelo próprio fundador, Inácio de Loyola, Provincial da Ordem para a Alemanha e a Áustria. Pregou em Strasburg, Friburg e até na Polônia, sempre denunciando os seguidores do sacerdote Lutero, pai do protestantismo.

Admirado pelos pontífices e governantes do seu tempo, respeitado como primeiro jesuíta de nacionalidade alemã, morreu em 21 de dezembro de 1597, em Friburg, atual Suíça, após cinquenta e quatro anos de dedicação à Companhia de Jesus e à Igreja. Foi canonizado por Pio XI, em 1925, para ser festejado, no dia de sua morte, como são Pedro Canísio, Doutor da Igreja, título que também recebeu nessa ocasião.

São Pedro Canísio, rogai por nós!

Oração – Ó Deus, que marcastes pela vossa doutrina a vida de São Pedro Canísio, concedei-nos, por sua intercessão, que sejamos fiéis à mesma doutrina, e a proclamemos em nossas ações. Amém.

 

 

Com São Miqueias, profeta, que, nos dias de Joatão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, defendeu com a sua pregação os oprimidos, condenou os ídolos e as injustiças e anunciou ao povo eleito que havia de nascer em Belém de Judá o rei prometido desde os tempos antigos, para apascentar Israel com o poder do Senhor.