São Jorge, Mártir

No final da Idade Média, a história de S. Jorge era conhecida em toda a Europa na forma em que a apresenta a “Legenda Aurea” do Beato Tiago de Voragine. Guilherme Caxton traduziu e publicou essa obra.

Lê-se aí que S. Jorge era um cavaleiro cristão nascido na Capadócia. Mas aconteceu que, certo dia, ao cavalgar na província da Líbia, entrou casualmente numa cidade chamada Silene, próximo à qual havia um charco onde vivia um dragão “que empesteava toda a região”. O povo já se reunira para atacá-lo e matá-lo, mas o sopro dele era tão horrendo, que todos fugiram.

Para evitar que se aproximasse mais da cidade, diariamente lhe forneciam dois carneiros. Mas quando os carneiros escassearam, foi necessário substituí-los por vítimas humanas. A vítima era escolhida por sorteio e acontecera justamente que a sorte caíra sobre a filha do próprio rei. Ninguém queria tomar-lhe o lugar, e a jovem marchou para o seu destino, toda vestida de noiva. Nesse momento S. Jorge entra em cena, ataca o dragão e o atravessa com sua lança. Em seguida pega o cinto da donzela e o amarra em torno do pescoço do dragão. Com ele a jovem conduz o monstro cativo para a cidade. “Ele a seguiu como se fosse um animal manso e delicado”.

O povo estava prestes a fugir, tomado de pavor mortal, mas S. Jorge lhes disse que não tivessem medo. Se acreditassem em Jesus Cristo e recebessem o batismo, ele mataria o dragão. O rei e todos os seus súditos concordaram de boa mente. O dragão foi morto e precisou-se de quatro carros de boi para transportar a carcaça para um lugar distante e seguro. “Então cerca de 15 mil se fizeram batizar, sem contar as mulheres e as crianças”. O rei ofereceu tesouros a S. Jorge, mas este ordenou-lhe que os desse aos pobres. Antes de se despedir, deixou quatro recomendações: que o rei cuidasse da conservação das igrejas, honrasse os sacerdotes, assistisse assiduamente os serviços religiosos, e se mostrasse compassivo para com os pobres.

Na Palestina há registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Telavive, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

O que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente.

Não há culto mais antigo nem mais espalhado. Já no séc. IV Constantino lhe levantava uma igreja. Em Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra.

São Jorge, guerreiro vencedor do dragão, Rogai por nós

Oração – Dai-me coragem e esperança fortalecei minha Fé. Amém

Jorge (Georgius) vem de geos, que quer dizer  “terra”, e de orge, “cultivar”, de forma que o nome significa “cultivando a terra”.

 

Com  Santo Adalberto, Bispo de Praga e mártir.