Santo Afonso Rodrígues

Desejo que os participantes da Campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, conheçam alguns pormenores da vida de um santo jesuita, muito devoto do Santo Rosário: Certo dia, estava Santo Afonso Rodrigues rezando o Rosário. Os monges, reunidos por trás da porta, olhavam-no extasiados. A cada Ave-Maria que ele rezava, saia de sua boca uma rosa branca que subia aos céus e a cada Padre-nosso, uma rosa vermelha.
Desde pequeno Afonso aprendeu a invocar Nossa Senhora e, em sua inocência, confiava-Lhe todos seus desejos e apreensões. Em uma ocasião, num transporte de amor, disse à sua bondosa Mãe: “Ó Senhora, se Vós soubésseis quanto Vos amo! Eu Vos amo tanto, que Vós não podeis amar-me mais do que eu a Vós”. Ao que, Nossa Senhora, aparecendo-lhe, disse-lhe: “Você se engana, meu filho, porque eu o amo muito mais do que você pode me amar”.
Santo Afonso Rodrígues exerceu a princípio a profissão de mercador de tecidos na cidade de Segóvia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1531. Deus, porém, que o chamava a uma vida mais perfeita, permitiu-lhe padecer uma série de provações, destinadas a desapegá-lo completamente do mundo.
Sofreu alguns prejuízos consideráveis no negócio, depois que a morte lhe levou a esposa e uma filha, às quais amava ternamente. Contudo, restava-lhe um filho, poderoso consolo para tão aflito coração; mas este morreu pouco tempo depois de sua mãe e de sua irmã.
Afonso, adorando a mão de Deus que o feria, desde então se dedicou totalmente às obras de mortificação cristã, e entregou-se à prática de grandes austeridades. Assim passou três anos, consultando Deus e suplicando-lhe que lhe desse a conhecer a sua vontade. Foi então que se decidiu pela Companhia de Jesus, na qual entrou no ano de 1509, e pronunciou os votos finais em 5 de abril de 1585.
Seus superiores confiaram-lhe o cargo de porteiro do colégio de Maiorca, humilde função que o santo religioso desempenhou até o fim de sua vida, durante numerosos anos. Foi neste posto, aparentemente tão insignificante, que se elevou à mais alta santidade, conservando a idéia de Deus continuamente presente no seu espírito, vivendo em permanente mortificação, obedecendo com humildade perfeita aos seus superiores, e dando
provas de uma ilimitada caridade, de uma complacência e uma mansuetude inalteráveis, fosse em relação a seus irmãos, fosse em relação aos alunos e aos estrangeiros que freqüentavam o colégio.
Várias vezes, viram-no arrebatado em êxtase enquanto orava, mas os dons de Deus não lhe enchiam de vaidade o coração. Afonso Rodríguez considerava-se o maior dos pecadores e os favores que recebia do Senhor só serviam para incutir nele sentimentos da mais profunda humildade.
Esse santo religioso morreu no dia 31 de outubro de 1617, com a idade de oitenta e seis anos, e foi considerado objeto de uma veneração toda especial, tanto por parte do povo do lugar, como por parte de seus irmãos. No ano de 1627, o Papa Urbano VIII começou a informar-se sobre as suas virtudes.
Foi beatificado por Leão XII, em 20 de setembro de 1828, e canonizado por Pio IX.
(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 94-95)
 
João Sérgio Guimarães