A Apresentação da Santíssima Virgem no Templo

A vinte e um de novembro, a Igreja de Deus, sempre guiada pelo Espírito Santo, celebra a Apresentação da Santa Virgem Maria no Templo para ali passar os primeiros anos de vida. E a Virgem mesma dignou-se revelar a almas santas, notadamente a Santa Isabel da Hungria e a Santa Brígida da Suécia, as particularidades da estada no templo.

Nas revelações de Santa Brígida, onde a Igreja nada encontrou contrário à Fé e que pode crer-se piamente, vê-se que a Santa Virgem foi concebida sem pecado e foi levada ao Céu em corpo e alma. Nossa Senhora mesma revelou-o a Santa Brígida, bem como os progressos que teve no conhecimento de Deus e sua Lei.

“Desde o início de minha infância, disse Ela, quando entendi e compreendi que Deus existia, fui sempre cuidadosa e temerosa de minha conduta e de minha Salvação. Quando, porém, plenamente compreendi que Deus era meu Criador e o Juiz de todas as minhas ações, passei a amá-Lo mais intimamente, a toda a hora receosa de ofendê-Lo, quer por ações, quer por palavras. Depois, quando soube que havia dado Leis e Mandamentos ao povo e tantas maravilhas, resolvi firmemente, em minha alma, nada mais amar senão a Ele. E as coisas mundanas passaram a ser-Me grandemente amargas.

Paroquia de São Miguel -Dijon, Francia

“Afinal, sabendo que o mesmo Deus resgataria o mundo e iria nascer duma Virgem, fui tocada de tão grande amor por Ele que não pensava em nada que não fosse Deus, nem a mais nada, que não Deus, Eu desejava. Afastei-Me, o mais que pude, de parentes e amigos. Aos pobres, dava tudo o que podia ter e não Me reservava mais do que a simples vestimenta e um pouco para viver até os tempos em que Ele devia nascer, na esperança de que poderia ser a indigna criada da Mãe de Deus.

“Fiz, no fundo do coração, voto de guardar a Virgindade, se a Deus fora agradável, e nada possuir no mundo”.

Santa Brígida e Santa Isabel da Turingia ou de Hungria tiveram as mesmas revelações.

Uma noite, quando Isabel recitava a Saudação Angélica, Maria, a Quem dirigia a oração, apareceu-lhe, dizendo-lhe, entre outras coisas:

— Vim ensinar-te todas as orações que fazia quando estava no templo. Eu, acima de tudo, pedia a Deus que Me fizesse amá-Lo e detestar o pecado. Não há virtude sem esse amor absoluto a Deus, pelo qual a plenitude da graça desce na alma. Mas, depois de ter descido, ir-se-á, como a água que se escoa dum reservatório aberto, a menos que continuemos a detestar os pecados e os vícios, sempre e sempre. Aquele, pois, que quiser conservar a graça do Alto, deve saber coordenar o amor e o ódio no coração. Vejo que fazes tudo aquilo que Eu fazia. Levantava-Me pelo meio da noite e ia prosternar-Me diante do Altar, onde rogava a Deus Me fizesse observar todos os preceitos que d’Ele emanaram, suplicando-Lhe Me concedesse as graças de que necessitava para Lhe ser agradável. Pedia-Lhe, e com muito ardor, que Me conservasse para alcançar o tempo em que uma Virgem muito Santa teria o Filho, a fim de que pudesse ir servi-La e venerá-La.

Isabel interrompeu-A para perguntar-Lhe:

— Ó muito doce Senhora, Vós já não éreis cheia de graça e de virtudes?

Nossa Senhora respondeu-lhe:

— Acreditava-Me também culpada e miserável como tu também acreditas que o sejas: eis porque rogava a Deus Me concedesse graças que julgava necessárias.

E continuou:

— O Senhor fazia de Mim o que o músico faz com a harpa, de que ordena e dispõe todas as cordas, para que dê em som agradável e harmonioso. Foi assim que Deus Me ordenou a alma, o coração, o espírito, os sentidos todos. Assim, regrada pela Sabedoria, era Eu constantemente arrebatada até o seio de Deus pelos Anjos, e lá, gozava de tanta alegria, de doçura tanta e de tanta consolação, que Me não recordava mais do mundo em que vivia: era como se nele jamais vivera. Estava, além disso, tão familiarizada com Deus e os Anjos, que Me parecia ter sempre vivido na Corte Gloriosa. Quando aprazia a Deus Pai, tomavam-Me os Anjos e transportavam-Me para onde Me haviam tirado, onde, na Terra, estava a orar.

Isabel ficava estática.

— Quando Me via na Terra, continuava Maria, e Me recordava do Céu, a lembrança tanto Me inflamava, que Me punha, por amor de Deus, a beijar a terra, a abraçar as pedras, as árvores, todas as coisas criadas enfim, tamanha era a afeição pelo Criador de tudo. Queria ser a criada de todas as santas mulheres que habitavam o Templo. Desejava ser submissa a todas as criaturas, por amor do Pai Supremo, e esse desejo Me vinha sem cessar. Deverias fazer o mesmo. Porém, estás sempre a dizer: “Por que para mim tantos favores, quando sou tão indigna de os receber?” E te desesperas, não crês nos benefícios de Deus. Tem cuidado de não mais falares assim, porque desagradas a Deus. Ele pode dar, como bom Mestre, as graças a quem quer, e como sábio Pai, bem sabe a quem as convém dar, a quem as mercês convém.

Afinal, terminando, disse a divina Instrutora a Isabel:

— Vim a ti por uma graça especial: sou toda tua agora. Interroga-Me, pois, sobre tudo aquilo que desejas e a tudo responderei.

Isabel não ousava usar daquela faculdade, julgando-se indigna. Maria exortou-a, e a duquesa perguntou:

— Dizei-Me, doce Senhora, por que tínheis tão grande desejo de ver a Virgem que deveria ter o Filho de Deus?

A Santa Virgem respondeu-lhe:

— Um dia, pensando na minha resolução de jamais Me separar do Senhor, procurei ler para encontrar alguma coisa que Me fortalecesse a alma. Abri, pois, o Livro Santo e dei com estas palavras de Isaías: “Eis que a Virgem conceberá”. Compreendi que o Filho de Deus devia escolher uma Virgem para, então, d’Ela nascer. Imediatamente resolvi, no fundo do Coração, pelo respeito e graça d’Aquela Virgem, guardar a Virgindade, e dar-me a Ela como criada. Queria servi-La e d’Ela jamais separar-Me, mesmo que necessitasse correr o universo todo. Ora, uma noite, prosternada em oração, ardentemente ao Senhor Eu suplicava que Me prolongasse a vida, para poder ver a Virgem dos meus sonhos, pois queria servi-La, venerá-La, aplicar-Me toda inteira a Ela. Eis que um esplendor muito mais forte que o do Sol a tudo iluminou, e do meio dele uma voz Me disse: “Prepara-Te para ter meu Filho” Muito claramente, a voz acrescentou: “Sabe que a submissão que querias tributar a outrem por amor de Mim, a Ti, não a nenhuma outra, ser-Te-á tributada pelos outros. Hás de ser a Mãe, a Senhora e a Dominadora de meu Filho, de modo que não somente Tu o terás, mas poderás dá-Lo a quem queiras dar. Não terão minha graça nem meu amor, nem a graça e o amor de meu Filho, aqueles que Te não amarem. Quanto a Ti, ainda, quem não Te confessar a Mãe de meu Filho, jamais entrará no meu Reino. Querias que Te concedesse o favor de viver para conhecer essa Virgem que teria meu Filho, para servi-La e venerá-La: digo-Te, pois, que Tu mesma serás essa Virgem que há de ter meu Filho. Ser-Te-á dado por Mim e por ninguém mais, e quem não Te implorar o favor jamais poderá ter a consolação de meu Filho”. Quando acabei de ouvir aquelas palavras, estava com o rosto por terra. Tremia e não podia sustentar-Me. Mas foi por pouco tempo, porque os Anjos Me apareceram e Me fortaleceram. Desde aquele momento, entreguei-Me totalmente aos louvores de Deus e, de tal sorte, que dia e noite não podia saciar-Me de louvar o Pai Supremo e render-Lhe graças.

Terminada a doce conversação, Maria, sorrindo, desvaneceu-Se. Isabel viu, um dia, um soberbo jardim cheio das mais belas e viçosas flores: era ali o lugar em que a divina Consoladora fora, em meio a Anjos inumeráveis, levada de volta ao Céu nos braços do Filho amado. Um Anjo veio explicar a Isabel que tudo aquilo que lhe acontecera era um favor do Alto, para sustentá-la nas desventuras pelas quais estava passando.

— Sede constante, disse-lhe, que venturas indescritíveis vos serão dadas no Céu. Sede fiel e dócil à vontade de Deus, e tereis, reservado no Alto, o que a Maria foi reservado.

Eis o que a muito doce Mãe de Deus desvendou às puras almas daquelas Santas, referente à sua Apresentação e estada no Templo. Que Deus nos conceda a graça de imitá-La na menor coisa que seja!

Coordenação do blog: João Sérgio Guimarães

 

Fonte: Pe. Rohrbacher, Vidas dos Santos.

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