
Minhas férias com Frei Galvão
Um meio de transporte celestial
Vendo que todos queriam conhecer logo alguma história de Frei Galvão, Tio Carlos nos convidou para sentar na varanda.
Eu acho que esse é o lugar mais agradável da casa. Mesmo nos dias de calor, ainda é muito arejado. Ali há várias poltronas e uma cadeira de balanço. Espalhados entre essa mobília existem alguns vasos com folhagens ou com flores
Da varanda pode-se ver a serra, a cachoeira e o vale que se estende até bem distante. Geralmente, ao pôr do sol, o céu fica avermelhado como fogo. Mesmo à noite, quando há luar, a vista é atraente.
Tio Carlos esperou que todos encontrassem ali o lugar mais aconchegante para iniciar a primeira história:
— Lembram da cantiga: “Senhor meu Frei Galvão, vós que não pisais no chão”?... Pois é: vou lhes dizer porque ele “não pisava no chão”.
Vocês sabiam que Frei Galvão só viajava a pé?
— Ia de uma cidade a outra a pé? Andando o tempo todo? Indagou Cláudia, intrigada.
— Exatamente. Ele só andava a pé! Quando lhe ofereciam cavalos ou carroças ele recusava!
— E as estradas. Como eram? Perguntou Bruno.
— Bem... Na realidade não eram como as estradas asfaltadas de hoje.
Eram caminhos ou trilhas. Viajar era um sacrifício. E era ainda mais penoso se fosse a pé...
Mas, Frei Galvão enfrentava todas as dificuldades: calor, frio, cansaço, sede... Ele enfrentava tudo e ainda aproveitava o tempo para rezar!
Enquanto caminhava, ele ia pedindo a Deus pelas almas dos que iria visitar!
— Impressionante... Era santo! Exclama Alice.
— O mais interessante, Alice, é que ele fazia essas viagens com uma rapidez incrível. E era um fato conhecido por todos. Tinha até muita gente que afirmava que Frei Galvão “andava sem pisar no chão”.
— Ah! Lembra-se da cantiga?... Disse Bia, que gosta muito de cantar.
— Sim, mas eu vou falar dela só daqui a pouquinho... Agora eu quero contar um fato que li nos arquivos do Mosteiro da Luz. Vale a pena ouvir...
Uma senhora idosa andava pelas cercanias de São Paulo. De repente ela viu Frei Galvão aparecer em seu caminho, lá na frente...
— “Que sorte! Eu sempre quis encontrar-me com Frei Galvão...” Pensou a velha, colocando já sua atenção em tudo que nosso Santo fazia. Ela queria saber como ele era. E olhava tudo... Prestou atenção até nos pés de Frei Galvão!...
— Nos pés dele? Pergunta, surpreso, Bruno.
— Sim, Bruno. E fez isso com tanta atenção que teve uma certeza: Frei Galvão estava andando sem pisar no chão...
— Mas ela viu isso? Volta a perguntar Bruno.
— Viu, Bruno. E ela estava tão certa do que tinha visto que quando cruzou com ele pediu-lhe a bênção e, logo depois, perguntou:
— Senhor Padre, o senhor anda sem pisar no chão?...
Frei Galvão olhou para a velha senhora e apenas sorriu amavelmente. Depois, ele continuou seu caminho... sem pisar no chão...
— Será que era um milagre? Só essa senhora viu isso? Perguntou Alice, interessada.
— Só podia ser um milagre, Alice. E aquela mulher não foi a única a ver fatos como esse. Em várias ocasiões, outras pessoas também perceberam que Frei Galvão “caminhava sem pisar no chão”. Até gente importante falava sobre isso.
— Como assim?...
— Por exemplo, o historiador Visconde de Taunay escreveu em um de seus livros que, quando estava na cidade de Limeira, ouviu que os meninos cantavam aquela cantiga que outro dia lhes ensinei:
Senhor meu Frei Galvão, Senhor meu Frei Galvão!
Na minha aflição;
Vós que não pisais no chão,
Dai-me consolação!
— Uuuum! Já sei... Frei Galvão voava como os anjos!
— Se era como anjos eu não sei, Alice. O certo é que ele tinha um meio de transporte... Sobrenatural. E eu...
Tio Carlos foi interrompido por alguém que avisava que o jantar já estava posto e que deveríamos ir para a mesa imediatamente.