Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!

Minhas férias com Frei Galvão



O frei já passou

Parece que na fazenda o tempo passa mais depressa... Já estávamos no jantar do terceiro dia!

Logo que terminamos a sobremesa, alguém avisou que a conversa seria na varanda. Foi uma correria geral... Todos queriam pegar os melhores lugares.

Tio Carlos sentou-se e esperou calmamente todos se ajeitarem. Quando disse alguma coisa, foi para iniciar a narração da história do dia. Mas, desta vez, o seu tom de voz revelava que estava com pena de alguém.

— Um pobre pai de família caminhava aflito e apressado na direção de um pequeno armazém em São Paulo.

Ia rezando a Deus para que lhe desse coragem para enfrentar a cara feia e brava do dono do armazém...

— Ele estava com medo de que? Perguntou Jairo.

— Ele era uma pessoa honesta, Jairo, porém, já havia dois meses que não conseguia emprego e não tinha dinheiro para pagar a conta do mercado. E naquela hora ele só tinha três moedinhas no bolso...

— Três moedinhas? Não dava para comprar uma colher de mel coado! Exclamou Alice.

— De fato, não valia nada... Mas, o pobre homem havia prometido pagar sua dívida naquele dia e, mesmo não tendo dinheiro, resolveu enfrentar o dono, que era um português durão.

Quando chegou ao estabelecimento, porém, ficou surpreso. O português o recebeu com um grande sorriso!

E seu espanto aumentou quando o português saiu de trás do balcão para dizer a ele muito amavelmente:

— Não se preocupe, amigo! Sua dívida já foi paga. O Frei já passou por aqui.

— Era ele mesmo, diz Tio Carlos, era Frei Galvão!

¬Sim! Às vezes, discretamente, ele passava pelos armazéns próximos de seu mosteiro e pagava as contas atrasadas dos pobres que estavam em situação desesperadora.

— Pagava as contas sem que as pessoas soubessem?

— Isso mesmo, Alice... Ele pagava as contas dos que não tinham condições de pagar! Frei Galvão conhecia todo mundo e sabia quem era pobre e não tinha dinheiro para pagar as dívidas... Um frei franciscano, nunca guardava dinheiro para si próprio. Quando recebia uma doação ele a distribuía aos pobres!

— Tio Carlos, Frei Galvão não era pobre também? Pergunta a Bia.

— Sim! Ele não tinha nada. Era pobre e ajudava outros pobres... O segredo estava no fato de que ele confiava na misericórdia divina! Ele amava os pobres e fazia...

— Já sei!!! Gritou Jairo, desejando mostrar que tinha tirado uma lição de vida da história que Tio Carlos acabava de contar:

— Frei Galvão dizia que nunca falta nada a quem confia inteiramente em Deus.

— E foi por isso também que nunca faltou nada para os outros pobres de Frei Galvão! Concluiu Tio Carlos.



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