Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!

Minhas férias com Frei Galvão



O frango do diabo

Na tarde do quarto dia, na hora do lanche, foram servidas umas deliciosas “coxinhas” de frango. Todos estávamos tão entretidos que nem percebemos a chegada de Tio Carlos. Só notamos sua presença quando, do fundo da sala, ele perguntou:

— Já ouviram falar do “frango do diabo”?

A Bia respondeu assustada:

— Não ouvi!.. E não quero ouvir falar dessas coisas!

— Eu quero ouvir!... Conta, Tio Carlos, conta a história do “frango do diabo”. Pedia o Bruno.

— é bom mesmo ouvirem essa história... E que tirem dela uma lição: com o diabo não se mexe, nem de brincadeira!

A história é a seguinte:

Numa chácara, no município de Itu, morava um negro que tinha sido escravo. Apesar de muito forte, em certa ocasião ele ficou doente.

Para obter sua cura, ele fez uma promessa: Se ficasse curado, daria uma “vara de frangos” para o Mosteiro de Frei Galvão.

Alguns dias depois da oração, o bom negro ficou curado. E quis cumprir logo o que havia prometido.

Pegou os doze melhores frangos de seu galinheiro, pendurou-os numa vara e pôs-se a caminho do Mosteiro...

— Ah! Isso é que era uma “vara de frangos”?

— Sim, Cláudia. Doze frangos pendurados numa vara...

De repente, três das aves conseguiram fugir. Duas delas ele pegou com facilidade. O terceiro frango — um galo carijó bem grande — dava a impressão de não querer voltar de jeito nenhum para a vara...

O bicho corria de um lado para o outro e não havia como pegá-lo. Isso deixou o bom homem cansado. Quando já estava ficando meio desanimado, perdeu a paciência e gritou: — Pare aí, “seu” frango do diabo!

Justamente nesse instante, o frango enroscou-se num espinheiro e o velho negro conseguiu agarrá-lo com facilidade. E, pensando que tudo tinha voltado ao normal, seguiu de novo seu caminho. Pouco tempo depois ele chegava ao Mosteiro, contente de pagar a promessa. Tocou a sineta do portão e, em vez das freiras, o próprio Frei Galvão veio atender. O pobre homem saltou de alegria, pois desejava agradecer e entregar pessoalmente a Frei Galvão o que havia prometido ao Mosteiro.

— Frei Galvão veio atendê-lo? Pergunta Bruno.

— Sim. A todos que podia ele atendia... Para cada um ele tinha uma palavra especial para dizer. Queria sempre fazer o bem a todos!

O velho, então, começou a passar as aves para Frei Galvão que as recebia uma a uma. Quando chegou a vez de receber o frango carijó, ele não o aceitou...

— Esse não! Disse Frei Galvão. Esse eu não quero...

— Mas, por que o senhor não quer, Sr. Padre? Ele está gordo e sadio.

— Porque este você já deu para o diabo! E do diabo eu não quero nada... Disse o Frei.

— O homem deve ter ficado espantado... Resmungou Cláudia.

— Claro! E, não era para menos... Como é que Frei Galvão soube do que aconteceu lá no meio do mato com o ex-escravo e seus frangos? E, sem sair do Mosteiro!

— Eu não sei dizer... Nem imagino...

— Eu também não, Alice... Ninguém até hoje soube explicar!

O que sabemos é que Frei Galvão muitas vezes sabia de coisas que estavam acontecendo longe dele... E sem que ninguém lhe tivesse contado nada!...

Frei Galvão viu que o homem tinha ficado muito triste e procurou consolá-lo com algumas palavras doces:

— Meu filho, volte para sua casa em paz. Que Deus e a Virgem Maria lhe acompanhem!

E... lembre-se sempre: guarda a paciência em todas as ocasiões e... cuidado! Cuidado, porque o diabo aceita as “ofertas” que são feitas a ele...



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