Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!

Minhas férias com Frei Galvão



Lendo pensamentos...

Parece que Tio Carlos estava apressado naquele quinto dia. Queria que todos fossem logo para a varanda. Mal se sentou na cadeira de balanço que foi de sua avó, começou a falar:

— Frei Galvão foi ordenado sacerdote no Rio de Janeiro e pouco depois foi enviado para o Convento de São Francisco, em São Paulo.

Ele era ainda muito jovem. Tinha apenas 23 anos... Mas, já era tido como um homem virtuoso, um santo. Tudo que ele fazia era por amor a Deus e ao próximo e para o bem da Igreja.

Frei Galvão cuidava de uma casa que se chamava “Casa das Recolhidas de Santa Teresa”. Ali vivia um grupo de senhoras religiosas. Ele era encarregado de cuidar espiritualmente delas. Mas precisava ajudá-las também nas coisas materiais. Elas eram muito pobres, passavam por muitas necessidades. Estava faltando até comida...

— Frei Galvão ajudava essas senhoras do “Recolhimento”... Mas... ele não era pobre também?

— Era. Mas, justamente por isso, Bia, ele tinha até que pedir esmolas... Para poder ajudar os pobres de quem ele cuidava...

— Aaah, certo.

— Frei Galvão conhecia um comerciante que morava na Rua de São Bento, no local chamado “Largo dos Quatro Cantos”. Como este era muito rico, o frei resolveu pedir-lhe uma doação para comprar alimento para as freiras.

— Ele era amigo de Frei Galvão?

— Sim, Bruno, era amigo e admirador de Frei Galvão...

Numa manhã, bem cedinho, Frei Galvão foi procurar o tal homem, mas não o encontrando em casa resolveu ficar esperando em frente à porta. Nesse mesmo tempo, veio andando pelo caminho um rapaz que ia trabalhar na feira.

Este feirante não era uma boa pessoa. Falava mal de Frei Galvão. Não acreditava na bondade e santidade de um sacerdote.

Já de longe, vendo Frei Galvão de pé ali no Largo dos Quatro Cantos, pensou:

— Que vergonha! Tão cedo e esse “padreco” já está vindo adular os ricos!

— Que homem,... Tio Carlos! Era ruim, mesmo...

— é... Mas, Alice, veja como Deus tirou o bem do mal: o tal homem seguia caminhando pela rua com o coração ainda cheio de maldades e injúrias quando, sem que soubesse como, Frei Galvão apareceu em sua frente e disse:

— Meu irmão, por que você está pensando assim de mim?... Que mal eu lhe fiz?... Eu não vim aqui adular ninguém... Estou pedindo ajuda para quem precisa... Vim pedir auxílio para as irmãs do Recolhimento de Santa Teresa.

Cuidado com aquilo que você pensa sobre os outros! Não crie opiniões apressadas e... falsas. Não cultive a injustiça e o ódio em seu coração! A calúnia e a difamação podem dominar sua alma...

— Bem feito! Que lição! Exclamou Cláudia.

— Eu também acho que foi bem feito... Confirmou Jairo.

— O feirante ficou muito assustado, é claro. Ficou até com medo...

— Mas, também, Tio Carlos, ele tinha mesmo que ficar com medo. Ele percebeu que Frei Galvão “adivinhava” os pensamentos...



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