
Minhas férias com Frei Galvão
Dona Isabel
No quarto dia, Tio Carlos preferiu contar-nos a história na sala de jantar mesmo. Ninguém precisou sair da mesa...
Depois do jantar, ele levantou-se para atender um telefonema, mas voltou logo.
A Bia nem esperou que ele se sentasse e foi logo dizendo:
— O senhor nunca falou nada sobre a mãe de Frei Galvão!
Tio Carlos admirou-se da inesperada afirmação e, para disfarçar a surpresa, disse sorrindo:
— Eu estava esperando que me pedissem... Há tempos que eu queria ter falado com vocês sobre dona Isabel...
Bruno, que estava bem perto de Tio Carlos, aproveitou uma pequena interrupção para perguntar:
— Dona Isabel? Como é que ela era? Como ela educou Frei Galvão?
O velho tio ouviu com atenção as perguntas e respondeu:
— A mãe de Frei Galvão chamava-se Isabel. Ela nasceu em Pindamonhangaba...
— Ela era uma boa pessoa? Indagou Cláudia.
— Ahahah!... Vocês é que me dirão se ela era boa pessoa! Ouçam o que vou lhes contar... Ouçam a história inteira... Depois me digam o que acham...
Dona Isabel teve vários filhos. Ela percebeu que, desde cedo, Antônio era muito direito e gostava de praticar o bem. Por isso ela não perdia oportunidade para mostrar ao menino as coisas boas e incentivar nele o desejo da prática das virtudes cristãs.
— Então foi com ela que Frei Galvão aprendeu a ser santo?
— Sim, Bruno. Dona Isabel o ensinou a rezar, a ter devoção a Nossa Senhora, a respeitar os outros... Ensinou até a dar esmolas porque tinha um carinho especial para com os necessitados.
— Mas, criança não dá esmolas... Comenta Cláudia.
— Não dá. Mas Antônio gostava de ajudar os outros. Ele seguia o bom exemplo da mãe. Escuta esse fato:
Certo dia, uma senhora bem pobre bateu à porta da casa de Frei Galvão e pediu uma esmola “por amor de Deus”.
Dona Isabel tinha ido visitar uma senhora doente. E o pequeno Antônio estava sozinho. Tinha pouco mais de dez anos, mas não duvidou sobre o que fazer.
Ele foi até um armário onde estavam guardados os pertences da casa e pegou a mais bonita toalha de mesa que lá estava.
Certo de que estaria aplicando as boas lições de caridade que sua mãe lhe dava, ele...
— Nossa! Ele deu a toalha para a mendiga?
— Deu, Alice. Deu a melhor toalha da casa para a mendiga... Imagine a alegria da mulher... Ela nunca pensou que um dia pudesse receber um tão lindo e caro presente.
— E dai?... O que aconteceu? Volta a perguntar Alice.
— A mendiga era uma pessoa honesta e tinha uma consciência limpa. Ela levou a toalha para sua casa, mas ficou com o coração perturbado...
A todo o momento ela se perguntava: será que Dona Isabel me daria essa tão rica toalha? Não vai julgar que enganei uma criança? Depois de muito pensar, ela resolveu voltar até a casa do Sr. Antônio Galvão e Dona Isabel para devolver a bela toalha.
Foi só aí que Da. Isabel soube o que seu filho Antônio tinha feito...
— E ele levou um puxão de orelhas de Dona Isabel?
— Não! Dona Isabel não demonstrou nenhuma estranheza pelo fato. Ela sabia que seu filho não tinha feito nenhum mal. E ela queria incentivar na alma dele a prática do bem e da caridade.
— Mas, então... o que é que fez Dona Isabel?
— Bruno, ela olhou para a mendiga e disse bondosamente:
— Foi meu filho quem deu? Pois, então, está bem dada... A toalha é sua!
— Não preciso descrever a alegria da mendiga que voltou para casa com o troféu nas mãos.
E... a história de hoje termina aqui. Vocês agora conhecem alguma coisa sobre Dona Isabel e já poderão responder:
A mãe de Frei Galvão era boa?...