III – DOENCA E MORTE DE JACINTA

4. Regresso a Aljustrel

Voltou ainda algum tempo para casa dos pais, com uma grande ferida aberta no peito, cujos curativos diários sofria sem uma queixa, sem mostrar o menor sinal de enfado. O que mais lhe custava eram as freqüentes visitas e interrogatórios das pessoas que a procuravam e às quais agora não podia esconder-se.

- Ofereço também este sacrifício pelos pecadores - dizia com resignação. Quem me dera ir ao Cabeço rezar ainda um Terço na nossa loca! Mas já não sou capaz. Quando fores à Cova de Iria, reza por mim. Decerto nunca mais lá vou - dizia, com as lágrimas a correr-lhe pelas faces.

Um dia, disse-me minha Tia:

- Pergunta à Jacinta o que está a pensar, quando está tanto tempo com as mãos na cara, sem se mover; já lho tenho perguntado, mas sorri-se e não responde.

Fiz a pergunta.

- Penso - respondeu - em Nosso Senhor, Nossa Senhora, nos pecadores e em... (Nomeou algumas coisas do segredo). Gosto muito de pensar.

Minha Tia perguntou-me pela resposta da sua filhinha; com um sorriso, tinha tudo dito. Então dizia minha Tia a minha Mãe, contando o que se tinha passado:

- Não entendo; a vida destas crianças é um enigma!

E minha Mãe acrescentava:

- Quando estão sós, falam pelos cotovelos, sem que agente seja capaz de lhes apanhar uma palavra, por mais que escute; e logo que chega alguém, baixam a cabeça e não dizem uma palavra! Não posso entender este mistério!



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