III – DOENCA E MORTE DE JACINTA

5. Novas visitas de Nossa Senhora

De novo a Santíssima Virgem se dignou visitar a Jacinta, para lhe anunciar novas cruzes e sacrifícios. Deu-me a notícia e dizia-me:

- Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem os meus pais; que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela a buscar para o Céu.

E chorando, abraçava-me e dizia:

- Nunca mais te torno a ver. Tu lá não me vais a visitar. Olha: reza muito por mim, que morro sozinha.

Até que chegou o dia de ir para Lisboa, sofreu horrivelmente! Abraçava-se a mim e dizia, chorando:

- Nunca mais te hei de tornar a ver? Nem a minha Mãe, nem os meus Irmãos, nem o meu Pai? Nunca mais hei de ver ninguém? E depois morro sozinha!

- Não penses nisso -lhe disse um dia.

- Deixa-me pensar, porque, quanto mais penso, mais sofro; e eu quero sofrer por amor de Nosso Senhor e pelos pecadores. E depois não me importo! Nossa Senhora vai-me lá a buscar para o Céu.

Às vezes beijava um crucifixo e, abraçando-o, dizia:

- Ó meu Jesus, eu Vos amo e quero sofrer muito por Vosso amor. Outras vezes, dizia:

- Ó Jesus, agora podes converter muitos pecadores, porque este sacrifício é muito grande!

Perguntava-me, às vezes:

- E vou morrer sem receber a Jesus escondido? Se Nossa Senhora O levasse, quando me for a buscar!...

Perguntei-lhe uma vez:

- Que vais a fazer no Céu?

- Vou amar muito a Jesus, o Imaculado Coração de Maria, pedir muito por ti, pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos meus Pais e Irmãos e por todas essas pessoas que me têm pedido para pedir por elas.

Quando a Mãe se mostrava triste por a ver tão doentinha, dizia:

- Não se aflija, minha Mãe: vou para o Céu. Lá hei de pedir muito por ti.

Outras vezes, dizia:

- Não chore, eu estou bem.

Se lhe perguntavam se precisava alguma coisa, dizia:

- Muito obrigada, não preciso nada.

Quando se retiravam, dizia:

- Tenho muita sede, mas não quero beber; ofereço a Jesus pelos pecadores.

Um dia que minha Tia me fazia algumas perguntas, chamou-me e disse-me:

- Não quero que digas a ninguém que eu sofro; nem à minha Mãe, porque não quero que se aflija.

Um dia, encontrei-a abraçando uma estampa de Nossa Senhora e a dizer:

- Ó minha Mãezinha do Céu, então eu hei de morrer sozinha?

A pobre criança parecia assustar-se com a idéia de morrer sozinha. Para a animar, dizia-lhe:

- Que te importa morrer sozinha, se Nossa Senhora te vai a buscar?

- É verdade! Não me importa nada. Mas não sei como é; às vezes não me lembro que Ela me vai a buscar, só me lembro que morro sem tu estares ao pé de mim.



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