
III – DOENCA E MORTE DE JACINTA
1. Jacinta, vítima da pneumônica
Passavam assim os dias da Jacinta, quando Nosso Senhor mandou a pneumônica, que a prostrou em cama, com seu Irmãozinho. Nas vésperas de adoecer dizia:
- Dói-me tanto a cabeça e tenho tanta sede! Mas não quero beber, para sofrer pelos pecadores.
Todo o tempo que me ficava livre da escola e de alguma outra coisinha que me mandassem fazer, ia para junto dos meus companheiros. Quando, um dia, passava para a escola, diz-me a Jacinta:
- Olha: diz a Jesus escondido que eu gosto muito d ''Ele e que O amo muito.
Outras vezes dizia:
- Diz a Jesus que Lhe mando muitas saudades.
Quando ia primeiro ao quarto dela, dizia:
- Agora vai ver o Francisco; eu faço o sacrifício de ficar aqui sozinha.
Um dia, sua Mãe levou-lhe uma xícara de leite e disse-lhe que o tomasse.
- Não o quero, minha Mãe - respondeu, afastando com a mãozinha a xícara.
Minha Tia teimou um pouco e depois se retirou, dizendo:
- Não sei como lhe hei de fazer tomar alguma coisa, com tanto fastio!
Logo que ficamos sós, perguntei-lhe:
- Como desobedeces assim a tua Mãe e não ofereces este sacrifício a Nosso Senhor?
Ao ouvir isto, deixou cair algumas lágrimas, que eu tive a felicidade de limpar, e disse:
- Agora não me lembrei!
E chama pela Mãe, pede-lhe perdão e diz-lhe que toma tudo quanto ela quiser. A Mãe traz-lhe a xícara do leite; toma-o sem mostrar a mais leve repugnância. Depois, diz-me:
- Se tu soubesses quanto me custou a tomar!
Em outra ocasião, disse-me:
- Cada vez me custa mais a tomar o leite e os caldos; mas não digo nada. Tomo tudo por amor de Nosso Senhor e do lmaculado Coração de Maria, nossa Mãezinha do Céu.
Perguntei-lhe um dia:
- Estás melhor?
- Já sabes que não melhoro.
E acrescentou:
- Tenho tantas dores no peito! Mas não digo nada; sofro pela conversão dos pecadores.
Quando, um dia, cheguei junto dela, perguntou-me:
- Já fizeste hoje muitos sacrifícios? Eu fiz muitos. Minha Mãe foi-se embora e eu quis ir muitas vezes visitar o Francisco e não fui.