I – RETRATO DE JACINTA

12. Na cadeia de Ourém

Quando, passado algum tempo, estivemos presos, a Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces:

- Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importaram mais de conosco!

- Não chores - lhe disse o Francisco. - Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.

E levantando os olhos e mãozinhas ao Céu, fez ele o oferecimento:

- Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores. A Jacinta acrescentou:

- É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, a Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princípio, que se estaria a distrair com as vistas; mas não tardei a reconhecer que chorava. Fui buscá-la para junto de mim e perguntei-lhe por que chorava:

- Porque - respondeu - vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mães!

E com as lágrimas a correr-lhe pelas faces:

- Eu queria sequer ver a minha Mãe!

- Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores?

- Quero, quero.

E com as lágrimas a banhar-lhe as faces, as mãos e os olhos levantados ao Céu, faz o oferecimento:

- Ó meu Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Os presos que presenciaram esta cena quiseram consolar-nos:

- Mas vocês - diziam eles - digam ao Senhor Administrador lá esse segredo. Que lhes importa que essa Senhora não queira?

- Isso não! - respondeu a Jacinta com vivacidade? Antes quero morrer.



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