I – RETRATO DE JACINTA

11. Amor ao Santo Padre

Foram interrogar-nos dois Sacerdotes que nos recomendaram que rezássemos pelo Santo Padre. A Jacinta perguntou quem era o Santo Padre e os bons Sacerdotes explicaram-nos quem era e como precisava muito de orações. A Jacinta ficou com tanto amor ao Santo Padre que, sempre que oferecia os seus sacrifícios a Jesus, acrescentava: e pelo Santo Padre. No fim de rezar o Terço, rezava sempre três Ave-Marias pelo Santo Padre e algumas vezes dizia:

- Quem me dera ver o Santo Padre! Vem cá tanta gente e o Santo Padre nunca cá vem.

Na sua inocência de criança, julgava que o Santo Padre podia fazer esta viagem como as outras pessoas.

Um dia, meu Pai e meu Tio foram intimados para nos apresentarem, no dia seguinte, na Administração. Meu tio disse que não levava os seus filhos, porque, dizia ele, não tenho por que apresentar em um tribunal duas crianças que não são responsáveis pelos seus atos; e ademais disso, eles não agüentam o caminho a pé até Vila Nova de Ourém! Vou ver o que eles querem. Meu Pai pensava de outra maneira: A minha, levo-a; ela que se arranje lá com eles, que eu cá destas coisas não entendo nada.

Aproveitaram então a ocasião para nos meterem todos os sustos possíveis. No dia seguinte, ao passar por casa de meu Tio, meu Pai esperou alguns instantes por meu Tio. Corri à cama de Jacinta a dizer-lhe adeus. Na dúvida de nos tornarmos a ver, abracei-a. E a pobre criança, chorando, disse-me:

- Se eles te matarem, diz-lhes que eu e mais o Francisco somos como tu e que também queremos morrer. E vou já com o Francisco para o poço rezar muito por ti.

Quando, à noitinha, voltei, corri ao poço e lá estavam os dois, de joelhos, debruçados sobre a beira do poço, com a cabecinha entre as mãos, a chorar. Assim que me viram, ficaram surpreendidos:

- Tu vens aí? Veio aqui tua Irmã buscar água e disse-nos que já te tinham matado. Já rezamos e choramos tanto por ti!...



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