I – RETRATO DE JACINTA

3. Amor a Cristo Crucificado

Minha Mãe costumava, ao serão, contar contos. E entre os contos de fadas encantadas, princesas douradas, pombinhas reais, que nos contavam meu Pai e minhas Irmãs mais velhas, vinha minha Mãe com a história da Paixão, de S. João Baptista, etc., etc...

Eu conhecia, pois, a Paixão de Nosso Senhor como uma história; e como me bastava ouvir as histórias uma vez para as repetir com todos os seus detalhes, comecei a contar aos meus companheiros, pormenorizadamente, a história de Nosso Senhor, como eu lhe chamava. Quando minha Irmã, ao passar por junto de nós, se dá conta que tínhamos o crucifixo nas mãos, tira-o e repreende-me, dizendo que não quer que toque nos santinhos. A Jacinta levanta-se, vai junto de minha Irmã e diz-lhe:

- Maria, não ralhes! Fui eu, mas não torno mais. Minha Irmã fez-lhe uma carícia e disse-nos que fôssemos a brincar lá para fora, dizendo que em casa não deixávamos parar nada no seu lugar.

Lá fomos contar a nossa história para cima do poço de que já falei e que, por estar escondido detrás duns castanheiros, dum monte de pedras e dum silvado, havíamos de escolher, alguns anos depois, para cela dos nossos colóquios, de fervorosas orações e, também, Exmo. Revmo. Senhor, para dizer-vos tudo, também de lágrimas, por vezes bem amargas. Misturávamos as nossas lágrimas às suas águas, para bebê-las depois, na mesma fonte onde as derramávamos. Não seria essa cisterna a imagem de Maria, em cujo Coração enxugávamos o nosso pranto e bebíamos a mais pura consolação?

Mas voltando à nossa história: Ao ouvir contar os sofrimentos de Nosso Senhor, a pequenina enterneceu-se e chorou. Muitas vezes, depois, pedia para lha repetir. Chorava com pena e dizia:

- Coitadinho de Nosso Senhor! Eu não hei de fazer nunca nenhum pecado. Não quero que Nosso Senhor sofra mais.



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