Beato José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil


Beato José de Anchieta

“Terra à vista!” - eis o grito ansiosamente esperado pelos tripulantes daquela nau – tão frágil que mais se assemelhava a uma casquinha de noz – repleta de aventureiros em busca de riquezas e por jesuítas a procura de almas.


Era o dia 13 de julho de 1553, a esquadra do Governador Duarte da Costa chegava nesta Terra de Santa Cruz. Junto dela, em meio a uma imensidão de pessoas que se confundiam entre si, surge a figura de um jovem jesuíta com apenas 19 anos, ainda noviço, mas já designado a auxiliar na catequização dos nativos da Capitania de São Vicente. Seu nome? José de Anchieta. Mal sabia ele que Deus estava traçando seu destino e que se tornaria conhecido e honrado futuramente como “O Apóstolo do Brasil”


O jovem Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na ilha de Tenerife, território das Ilhas Canárias, dominada pela Espanha. Filho de uma abastada família teve a oportunidade de receber sua educação das mãos dos dominicanos e, posteriormente na famosa Universidade de Coimbra, uma das mais prestigiadas da Europa. Conta-se que desde a mais tenra idade gostava de sentar-se junto ao porto e admirar as embarcações que se lançavam no mar ao longe e, talvez aí já sentisse em sua alma um lampejo da vocação que Deus lhe concedia.


Aos 17 anos fez seu voto de castidade diante do altar da Virgem Maria na Catedral de Coimbra, ingressando assim no noviciado da Companhia de Jesus.


A empolgação da graça primaveril da vocação, fê-lo trabalhar avidamente pelo apostolado a ponto de se descuidar de sua saúde, o que lhe causou, logo cedo, problemas atrozes de coluna, adquirindo assim um jeito característico de andar meio encurvado. Entretanto sua força de alma e imenso zelo apostólico eram maiores do que qualquer obstáculo e, sendo assim, quis vir ao Brasil para conquistar as almas para Deus. Era a época das grandes navegações e conquistas de além-mar.


Dotado de grande capacidade intelectual e esforço heróico, em poucos meses já dominava a língua tupi, de modo que auxiliou como ninguém a catequização dos nativos.


Com sua simplicidade e carisma conquistou a todos, apaziguou as desavenças e incutiu aos poucos nas almas dos indígenas o amor ao nosso Criador. Foi ao mesmo tempo o médico, o juiz, o engenheiro, o professor, o confessor, o taumaturgo e o conselheiro.


Utilizando-se dos mais variados meios apostólicos que iam desde a catequese até a representação de peças teatrais para os indígenas, lançou os fundamentos da evangelização e da educação jesuíta no Brasil. Seus inúmeros milagres realizados ainda em vida deram-lhe fama de santidade: a natureza o obedecia, animais selvagens tornavam-se mansos como cordeiros, nuvens tempestuosas dissipavam-se a uma simples palavra saída de sua boca, em suas missas e orações chegava a levitar o que lhe rendeu o nome indígena de “abarebebe” que significa “santo padre voador”.


Seu amplo trabalho evangelizador estendeu-se por todo o Brasil conhecido até então, mas talvez uma de suas maiores obras tenha sido a participação direta na fundação do Colégio São Paulo de Piratininga (hoje “Pateo do Collegio”) que se tornou muito mais do que um simples centro de aprendizagem para índios e portugueses, pois a partir dali nasceu e desenvolveu-se a cidade de São Paulo.Sua longa caminhada alcançou o seu auge quando aos 32 anos, em visita a Bahia, realizou o sonho de tornar-se sacerdote.


Há quem possa pensar que Anchieta deixou-se consumir pelo trabalho a ponto de deixar de lado a vida contemplativa, tão necessária à prática da virtude. Engana-se. Sua intensa atividade evangelizadora foi sempre permeada pelo amor a Deus e a dedicação a Nossa Senhora. Conta-se que era comum vê-lo, ao entardecer, à beira da praia de São Vicente, escrever na areia os seus famosos versos de louvor, que posteriormente ficaram conhecidos como “Poema à Virgem”.


Após longos anos de trabalho incansável, e já alquebrado pelos anos, Padre Anchieta percorria curtas distâncias a pé, apoiado em seu inseparável cajado, e ainda assim cumpria suas visitas pastorais. Entretanto o corpo não mais acompanhava o entusiasmo jovial de sua alma, sentiu-se obrigado a se retirar para o povoado de Reritiba,(hoje Anchieta) no Espírito Santo e no dia 9 de junho de 1597, aos 63 anos, falecia em odor de santidade, fama que se espalhou rapidamente pelos habitantes de todo o Brasil.


Depois de sua morte, inúmeros milagres foram atribuídos a sua intercessão, a partir de então, a Igreja passou a dar especial atenção aos fatos que, devidamente analisados, culminou depois de longos séculos de estudo em sua Beatificação realizada pelo Papa João Paulo II no ano de 1980.


De lá para cá, os fiéis tem aguardado ansiosamente pela sua canonização e pedido sempre a intercessão daquele que se tornou, com razão, o apóstolo por excelência de nosso Brasil.  

 


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